Seminário no GLOBO vai discutir corrupção

O Globo 25/11/2009

Desde o lançamento, o site da campanha "Nós e você, já são dois gritando" - na qual os leitores do GLOBO conversam sobre os principais problemas da sociedade brasileira - tem na corrupção o seu tema mais concorrido. Dos 40 tópicos de discussão no endereço WWW.oglobo.com.br/doisgritando, a preocupação com a má administração de verbas públicas, privilégios do poder e as extorsões do dia-a-dia é de longe o assunto mais eloqüente do fórum, com milhares de participações. Exatamente por isso, corrupção foi o tema escolhido para trazer o debate do meio digital para o mundo real, num encontro que vai reunir, no auditório do GLOBO, políticos e integrantes de ONGs que atuam no combate ao problema.

O evento 'Corrupção - o debate' ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 30, às 10h, e terá a presença do senador Pedro Simon (PMDB/RS); do diretor-executivo da ONG Transparência Brasil Cláudio Abramo; da coordenadora da ONG Voto Consciente Rosângela Giembinsky e da socióloga Maria Apparecida Fenizola, vice-presidente do Instituto de Desenvolvimento de Estudos Políticos e Sociais.

A mediação do debate será feita pelo colunista do GLOBO Merval Pereira. O evento será gratuito, e os debatedores responderão também a perguntas de outros colunistas. O auditório do jornal fica na Rua Irineu Marinho, 35, e tem capacidade para 200 lugares. Será proibida a entrada trajando bermuda, chinelo ou camiseta.

Para muitos, as origens da corrupção no Brasil remontam aos primórdios da sociedade brasileira, no período colonial. Porém, mais do que discutir as causas, o objetivo do encontro é ajudar a construir soluções. Uma delas, na opinião do senador Pedro Simon, é o combate à impunidade. Para o senador - que desde os anos 80 tenta levar para dentro do Congresso um debate sobre a questão em todas as esferas do poder público -, o Brasil ainda vive uma vergonhosa realidade nessa área: aqui, ainda, só os pobres são presos, diz ele.

O problema do Brasil é que só ladrão de galinha vai para a cadeia. O resto, político e empresário, paga um bom advogado. E não é para defendê-lo, mas para postergar ao máximo o processo. Para empurrar com a barriga e cair no decurso de prazo - diz Simon.

O senador afirma que o maior grau de corrupção ainda ocorre na classe política, mas preocupa-se também com o avanço da questão em outras áreas da sociedade.

- O Congresso vive um momento muito triste, mas a corrupção tem evoluído também no dia a dia das pessoas. É motorista pagando propina para o guarda, outro dando dinheiro para furar fila – critica o senador, que assumiu votos de pobreza há nove anos.
(Nota: moção aprovada por unanimidade no Encontro Nacional do PMDB, em Curitiba)

Moção de apoio ao lançamento da candidatura própria de Requião Presidente

Peemedebistas de 15 diretórios regionais, governadores, senadores, deputados, prefeitos, entre outras lideranças, reunidos neste sábado (21 de novembro) em Curitiba, decidem que o PMDB deve ter candidato próprio a Presidência da República e que esse nome é o do governador do Paraná, Roberto Requião.

Por isso, conclamamos a direção nacional do PMDB a promover um amplo debate em cada estado sobre o programa de governo, e ouvindo a sociedade civil para a construção de uma proposta de desenvolvimento nacional que privilegia a produção e o trabalho frente aos interesses do capital financeiro.

Curitiba, 21 de novembro de 2009.
Senador Pedro Simon, no encontro do PMDB: rota de colisão com a cúpula do partid0.

Ala peemedebista indica Requião como pré-candidato à presidência

Paraná online 22/11/2009

Elizabete Castro

Foto: Divulgação PMDB




O governador Roberto Requião foi indicado ontem, 21, como pré-candidato do PMDB à presidência da República, durante encontro do partido realizado em Curitiba. A moção de apoio à candidatura própria à sucessão de 2010 e a apresentação do nome do governador do Paraná teve o aval de representantes e deputados de 15 diretórios regionais do PMDB, do governador de Santa Catarina, Luis Henrique da Silveira, dos senadores Pedro Simon (RS) e Neuto de Couto (SC) e do presidente do PMDB de São Paulo, ex-governador Orestes Quércia.

A defesa da pré-candidatura de Requião foi feita pelo senador Pedro Simon, que cobrou do governador do Paraná uma resposta imediata. "Nós temos que tomar uma decisão. A partir de amanhã, podemos começar a percorrer o Brasil inteiro como pré-candidato. É só o Requião marcar a data que nós estamos nesta caminhada", afirmou.

Antes de falar aos peemedebistas, Simon negou que o movimento pela candidatura própria seja uma estratégia do grupo pró-aliança com os tucanos para atrapalhar o pré-acordo do grupo do presidente nacional do partido, Michel Temer, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apoiar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial.

- "Não há acordo nenhum com o PT. O que houve foi uma reunião que nem foi da executiva do partido", disse Simon, que assim como os demais peemedebistas que discursaram, cobriram a cúpula do partido de críticas dirigidas à forma como se comprometeram com a candidatura governista.

Segundo Simon, a pré-candidatura de Requião pode ser uma forma de o presidente Lula e sua candidata não perderem a eleição para o governador de São Paulo, José Serra, no segundo turno.

Aceitou

Requião não se fez de rogado. Ao encerrar o encontro, disse que era necessário mandar o seguinte aviso à cúpula nacional do PMDB. "Aqui se consolida uma pré-candidatura", afirmou o governador do Paraná. Aliado do presidente Lula nas três últimas eleições presidenciais, Requião disse que se o partido tem a oportunidade de participar da disputa, não pode abrir mão. "Sou amigo do Lula. Sou amigo pessoal da Dilma. Sou companheiro de militância e de juventude do Serra. Mas, antes de tudo, sou peemedebista e brasileiro", afirmou.

Requião destacou a ausência dos deputados federais do Paraná no encontro de ontem. Dos seis deputados federais do partido, apenas Marcelo Almeida compareceu. "Os outros confirmaram, mas não vieram. Os que não estiveram aqui se arrependerão pelo resto de suas vidas porque aqui está renascendo o PMDB velho de guerra", disse o governador paranaense, informando que vai percorrer todos os estados para buscar o apoio dos peemedebistas ao projeto da candidatura própria.

O programa de governo que Requião diz ser fundamental para amparar uma candidatura a presidente da República foi esboçado pelo professor e advogado Mangabeira Unger. Simon disse que esse programa expressa as ideias que o governador do Paraná defende há mais de vinte anos. O ex-governador de São Paulo, Orestes Quercia, que trabalha por uma aliança com o PSDB, em torno da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à presidência da República, afirmou que se a candidatura própria prosperar, Requião terá seu apoio.

O governador de Santa Catarina também manifestou sua concordância com o lançamento de Requião. Disse que se o governador do Paraná percorrer o país com uma proposta de descentralização administrativa irá empolgar não apenas o partido, mas também à população.

Requião deve oficializar amanhã candidatura à Presidência, diz Simon

Valor Online
20/11/2009


BRASÍLIA - O governador do Paraná, Roberto Requião, deve oficializar amanhã sua intenção de concorrer às eleições presidenciais do ano que vem pelo PMDB. A informação é do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que disse ter sido convidado pelo diretório estadual do partido para uma reunião com o governador, quando será anunciada esta sua disposição.

Defensor da candidatura própria peemedebista, Simon ressaltou que "não tem ideia" de quem o diretório do PMDB do Paraná estaria mobilizando para discutir o assunto com Roberto Requião. "Eu conversei com o Requião e ele disse que está disposto a aceitar a candidatura."

A partir do momento que o governador anunciar publicamente sua intenção, o senador diz que o próximo passo a ser tomado por Requião é o de viajar para os estados como o objetivo de discutir a sua viabilidade eleitoral com as bases do partido. "As bases do PMDB (prefeitos e vereadores), em sua imensa maioria, defende que haja um candidato próprio do partido nas eleições para presidente em 2010."

Já um dos principais articuladores da aliança com o PT - com a indicação do vice-presidente na chapa que seria encabeçada pela ministra Dilma Rousseff -, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), qualificou a iniciativa de tardia.

O deputado acrescentou que a aliança entre PT e PMDB já está consolidada e não há espaço mais para discussão de candidatura própria. Cunha disse também que a iniciativa do governador e de seus possíveis desdobramentos "não muda uma vírgula" no acordo entre os dois principais partidos da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

(Agência O Globo/Agência Brasil)
“Se o Requião topar o desafio, bater na mesa no sábado, disser que aceita uma indicação e sair por aí anunciando a notícia, a situação fica melhor. Muito melhor. Agora, nós temos que controlar um pouco a língua do Requião. Às vezes ele briga contra a imagem dele mesmo.”

ENTREVISTA
Simon defende Requião presidente

Gazeta do Povo, de Curitiba 19/11/2009
André Gonçalves, correspondente em Brasília
Foto Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo

Pedro Simon, senador (PMDB-RS).Principal liderança nacional do PMDB favorável à candidatura própria do partido a presidente, o senador gaúcho Pedro Simon espera que o governador Roberto Requião oficialize a pretensão de disputar o cargo.

A oportunidade será o encontro promovido pelo diretório estadual peemedebista no próximo sábado, em Curitiba. A expectativa é de que 15 presidentes estaduais da legenda participem da reunião, que discutirá o posicionamento para a eleição de 2010.

O evento terá um caráter de rebelião em relação à decisão da cúpula nacional do partido de antecipar a aliança com o PT, favorável à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Se no sábado sair uma reunião em que os participantes digam que o PMDB tem que ter candidato próprio e uma outra moção dizendo que o Requião é o nosso nome, a candidatura dele está de pé. Não tem como reverter”, disse ontem Simon, em entrevista exclusiva no Senado.

Não é complicado para a ala do PMDB que é favorável à candidatura própria defender essa posição sem trabalhar com um nome definido?

Isso que você está dizendo é a tese mais natural. Acontece que no PMDB há tempos não deixam que tenhamos candidatura própria. O comando do partido boicota. Na última eleição presidencial nós chegamos a fazer uma prévia, mas na hora não houve convenção. Mas eu concordo que esse é o melhor caminho. Se o Requião topar o desafio, bater na mesa no sábado, disser que aceita uma indicação e sair por aí anunciando a notícia, a situação fica melhor. Muito melhor. Agora, nós temos que controlar um pouco a língua do Requião. Às vezes ele briga contra a imagem dele mesmo.

É possível controlar a língua dele?

Eu acho que sim. Tem que controlar. O Ciro Gomes teve um momento em que estava crescendo na eleição de 2002 e, de repente, deu umas declarações tremendamente infelizes e afundou. Esse autocontrole é muito importante. Eu acho o Requião um cara inteligente, competente, sério. Tem uma capacidade tremenda. Se você olhar pelo lado da performance dele como senador e como governador, não encontra nenhum outro nome com tanta capacidade para discutir a fundo a política brasileira.

Que tipo de excesso o governador deveria controlar para ser um candidato viável?

Ele deveria saber usar melhor os adjetivos. Cortando isso, já é uma grande coisa.

O senhor não acha que há uma relação ambígua entre Requião e Lula?

Não. Acho que ele tem uma simpatia correta pelo presidente Lula, que de certa forma eu tenho também. Tem muitas coisas que eu gosto no governo do Lula. A minha mágoa é a questão ética, desde a época do mensalão. Mas na política internacional e na questão social ele está fazendo muita coisa boa.

O que o senhor acha que sai do encontro de sábado?

Será um encontro positivo. Terá uma figura importante como o Requião. Não sei se o governador de Santa Catarina (Luiz Henrique da Silveira) vai. Se for o número esperado de presidentes estaduais (15), será uma reunião relevante.

A reunião pode ajudar a reverter a decisão de aliança com o PT?

Se você parar para pensar, não houve decisão nenhuma aqui em Brasília. O comando partidário anunciou que conversou com o PT sobre a ideia de se chegar a um entendimento. Não houve reunião nem da Executiva do partido para tratar do assunto. Eles apenas fizeram uma janta e disseram que tentariam fazer um entendimento.

Como está hoje a divisão na base do partido entre os que querem candidatura própria e os que preferem manter o apoio ao PT?

A candidatura própria é um anseio de todo partido. O problema é que as decisões de alguns poucos aqui em Brasília prejudicam qualquer pensamento nesse sentido.

Qual seria o efeito moral nessa ala do partido se o governador Requião se lançar oficialmente como candidato?
Eu, por exemplo, já abro meu voto. Na convenção do ano que vem, voto no Requião. Aí a convenção será uma grande convenção. O Requião não é uma candidatura anti-Lula, é uma candidatura do PMDB. O Lula lá no início dizia que esperava por uma candidatura do partido e citou até o ministro Nélson Jobim (Defesa). Se o Requião quiser mesmo ser candidato, ele será muito mais identificado com o Lula do que o Sarney. Em qualquer sentido. Na verdade, o Requião não perde nada se lançar a candidatura a presidente. Afinal de contas, ele vai ter de renunciar de qualquer jeito se quiser concorrer a senador. Uma coisa não inviabiliza outra, muito pelo contrário.

O senhor já conversou sobre isso com ele?

Da última vez que estivemos juntos ele nem tocou no assunto. Agora que eu estou ouvindo falar no nome do Requião com mais força, até porque ele parece estar se articulando mais. Até um tempo atrás, sempre que me perguntavam sobre possíveis candidatos do PMDB, eu sempre citava o nome dele, mas também lembrava do Jobim, do governador do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral). Eu acho que hoje a tese para valer tem que ter um só nome e o dele é o mais correto. Se no sábado sair uma reunião em que os participantes digam que o PMDB tem que ter candidato próprio e uma outra moção dizendo que o Requião é o nosso nome, a candidatura dele está de pé. Não tem como reverter.
Pedro Simon homenageia Faculdade de Caxias do Sul

Agência Senado 19/11/2009

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) homenageou nesta quarta-feira (18) o cinquentenário da Faculdade de Direito da Universidade de Caxias do Sul, onde foi o primeiro professor de Economia Política e de Sociologia, na Faculdade de Filosofia. Ele disse que foi o portador do documento oficial de autorização para a criação da universidade, assinado pelo então presidente da República João Goulart - último ato de Jango, antes de ser deposto.

- Naqueles tempos, ainda numa idade em que a busca molda caminhos, a Universidade de Caxias do Sul me possibilitou juntar, em uma mesma travessia, a Economia, a Política, a Sociologia, a Filosofia e o Direito. Estão aqui, portanto, as bases da minha formação como ser social e político - assinalou.

Simon disse que, naquele tempo, queria outro mundo e uma receita em que se juntassem ciência e filosofia, "o ser e o querer ser, o real e o sonho". O caminho que encontrou, afirmou o senador, foi o Direito constituído nas melhores bases da Sociologia, o Direito universal, sem discriminação de qualquer natureza e inspirado nos ideais do criador da Faculdade de Direito, o médico Dr. Virvi Ramos.

O senador lamentou que hoje predomine uma cultura arquitetada pela sociedade de consumo e provedora de um ideal de vida baseado no imobilismo, no conformismo ao pensamento ditado, nas facilidades que se expõem em prateleiras.

- Para que pensar? Para que questionar, se é possível consumir pronto? O maior desafio, portanto, é descobrir um novo jeito de ser e não a maneira mais fácil de ter - afirmou.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse, em aparte, que a frase de Simon se aplica bem ao Brasil, onde só se discute como acelerar o "ter mais" e não como fazer o "ser brasileiro" diferente. Ele exemplificou com o debate dos pré-candidatos à Presidência da República, que está concentrado em quem oferece mais renda e não quem faz o Brasil crescer e ser diferente.

(O discurso completo está no site www.senado.gov.br/pedrosimon)
A IMPORTÂNCIA DO PARLAMENTO DO MERCOSUL

PEDRO SIMON
Senador pelo PMDB-RS, é membro do Parlamento do Mercosul



Numa época em que o Congresso Nacional, em especial o Senado, se vê acossado por denúncias de irregularidades é importante refletirmos sobre os fundamentos da representação política.
Muitas vezes já se disse que, se a situação política é ruim com o Parlamento funcionando, imagine-se com ele fechado! Nada mais verdadeiro. Mas o argumento não pode ser simplesmente negativo. Ao contrário, temos é que ressaltar as virtudes das câmaras legislativas, porque só nelas estão representados todos os grupos - mesmo os minoritários - de uma determinada sociedade.
Nos anos mais duros do regime militar havia quem pregasse que oposição devia se recusar a participar da “farsa” que era a vida parlamentar de então. Felizmente, valeu o bom senso. A oposição permaneceu no jogo político e num certo momento, agindo por dentro do sistema, conseguimos derrotar o regime.
A existência de um parlamento é a principal garantia da liberdade de expressão. Quando não existe uma tribuna para que representantes eleitos pelo povo possam denunciar as arbitrariedades, a corrupção e a violência ganham terreno.
Se o cenário que se projeta hoje a partir do Parlamento brasileiro - que pouco legisla, quase nada investiga e que é atacado pelo Executivo quando fiscaliza - não é dos mais positivos, não será com o seu fechamento que a situação vai melhorar. Temos, isto sim, que aperfeiçoar essa instituição. E é justamente no momento de crise que surgem as condições ideais para a retificação da rota.
As muitas denúncias de irregularidades no Senado Federal obrigaram a direção da Casa a levar adiante uma devassa administrativa. Mesmo correndo o risco de parecer excessivamente otimista, devo dizer que, na minha opinião, nunca mais se repetirão fatos tão graves quando os que foram descobertos este ano.
Alargando o campo de visão, pensando já no continente sul-americano, quero defender também o Parlamento do Mercosul, criado há apenas três anos, porque aqui ou ali, de vez em quando, erguem-se vozes contra essa instituição.
Ninguém desconhece a força do Parlamento Europeu, responsável pela construção das bases sobre as quais se deu a união de tantas nações, muitas delas com um histórico de conflitos sangrentos ao longo de séculos. Hoje ninguém contesta sua existência, embora provavelmente tenha sido alvo de ataques no seu nascedouro.
Temos, portanto, que olhar para o futuro. Em linguagem figurada, podemos dizer que o Mercosul hoje ainda engatinha. É pouco mais do que um recém-nascido. Mas como estará o nosso processo de integração quando alcançarmos a maioridade?
Para chegarmos lá, necessitamos de uma sólida base de integração legislativa. Ora, o Parlamento do Mercosul é o plenário onde representantes das quatro nações do bloco podem debater os problemas hoje existente e os que, necessariamente, surgirão com o avanço do processo de integração.
Órgão representativo dos interesses dos cidadãos dos Estados que integram o bloco, esse Parlamento, além de contribuir para o enraizamento da democracia, vai conferir legitimidade ao nosso processo integrativo. O respeito à pluralidade ideológica e política em sua composição é um dos seus principais pilares.
País que sempre viveu de costas para seus vizinhos sul-americanos, o Brasil precisa agora dar prioridade à integração com seus vizinhos do Cone Sul.
Dou aqui um exemplo de avanço já ocorrido. A relação entre Brasil e Argentina foi sempre bastante conflituosa. Hoje, felizmente, a possibilidade de uma guerra entre essas nações - algo de que se falou muito - está totalmente afastada e o intercâmbio, em todos os setores, nunca foi tão grande intenso e amistoso.
Assim como Brasil e Argentina se aproximaram, julgo que as duas maiores economias do bloco têm de apoiar Uruguai e Paraguai exatamente da mesma forma que, na Europa, as nações mais ricas, como Alemanha França e Inglaterra, contribuíram para a elevação dos padrões de vida em países como Portugal e Grécia.
Ora, para que tudo isso seja levado adiante é preciso estabelecer regras claras. O plenário próprio para isso é o do Parlamento do Mercosul. O processo, obviamente, não será isento de grandes dificuldades. Mas a verdade é que problemas conjunturais não podem nos impedir de olhar de maneira confiante para o futuro. Se, por acaso, existem fragilidades em nossas instituições democráticas, temos que buscar o modo de superá-las. Não podemos, simplesmente, nos concentrarmos no exercício fácil da crítica que nada propõe.

Correio Braziliense
Opinião
17/11/2009