“Se o Requião topar o desafio, bater na mesa no sábado, disser que aceita uma indicação e sair por aí anunciando a notícia, a situação fica melhor. Muito melhor. Agora, nós temos que controlar um pouco a língua do Requião. Às vezes ele briga contra a imagem dele mesmo.”ENTREVISTA
Simon defende Requião presidente
Gazeta do Povo, de Curitiba 19/11/2009
André Gonçalves, correspondente em Brasília
Foto Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo
Pedro Simon, senador (PMDB-RS).Principal liderança nacional do PMDB favorável à candidatura própria do partido a presidente, o senador gaúcho Pedro Simon espera que o governador Roberto Requião oficialize a pretensão de disputar o cargo.
A oportunidade será o encontro promovido pelo diretório estadual peemedebista no próximo sábado, em Curitiba. A expectativa é de que 15 presidentes estaduais da legenda participem da reunião, que discutirá o posicionamento para a eleição de 2010.
O evento terá um caráter de rebelião em relação à decisão da cúpula nacional do partido de antecipar a aliança com o PT, favorável à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Se no sábado sair uma reunião em que os participantes digam que o PMDB tem que ter candidato próprio e uma outra moção dizendo que o Requião é o nosso nome, a candidatura dele está de pé. Não tem como reverter”, disse ontem Simon, em entrevista exclusiva no Senado.
Não é complicado para a ala do PMDB que é favorável à candidatura própria defender essa posição sem trabalhar com um nome definido?
Isso que você está dizendo é a tese mais natural. Acontece que no PMDB há tempos não deixam que tenhamos candidatura própria. O comando do partido boicota. Na última eleição presidencial nós chegamos a fazer uma prévia, mas na hora não houve convenção. Mas eu concordo que esse é o melhor caminho. Se o Requião topar o desafio, bater na mesa no sábado, disser que aceita uma indicação e sair por aí anunciando a notícia, a situação fica melhor. Muito melhor. Agora, nós temos que controlar um pouco a língua do Requião. Às vezes ele briga contra a imagem dele mesmo.
É possível controlar a língua dele?
Eu acho que sim. Tem que controlar. O Ciro Gomes teve um momento em que estava crescendo na eleição de 2002 e, de repente, deu umas declarações tremendamente infelizes e afundou. Esse autocontrole é muito importante. Eu acho o Requião um cara inteligente, competente, sério. Tem uma capacidade tremenda. Se você olhar pelo lado da performance dele como senador e como governador, não encontra nenhum outro nome com tanta capacidade para discutir a fundo a política brasileira.
Que tipo de excesso o governador deveria controlar para ser um candidato viável?
Ele deveria saber usar melhor os adjetivos. Cortando isso, já é uma grande coisa.
O senhor não acha que há uma relação ambígua entre Requião e Lula?
Não. Acho que ele tem uma simpatia correta pelo presidente Lula, que de certa forma eu tenho também. Tem muitas coisas que eu gosto no governo do Lula. A minha mágoa é a questão ética, desde a época do mensalão. Mas na política internacional e na questão social ele está fazendo muita coisa boa.
O que o senhor acha que sai do encontro de sábado?
Será um encontro positivo. Terá uma figura importante como o Requião. Não sei se o governador de Santa Catarina (Luiz Henrique da Silveira) vai. Se for o número esperado de presidentes estaduais (15), será uma reunião relevante.
A reunião pode ajudar a reverter a decisão de aliança com o PT?
Se você parar para pensar, não houve decisão nenhuma aqui em Brasília. O comando partidário anunciou que conversou com o PT sobre a ideia de se chegar a um entendimento. Não houve reunião nem da Executiva do partido para tratar do assunto. Eles apenas fizeram uma janta e disseram que tentariam fazer um entendimento.
Como está hoje a divisão na base do partido entre os que querem candidatura própria e os que preferem manter o apoio ao PT?
A candidatura própria é um anseio de todo partido. O problema é que as decisões de alguns poucos aqui em Brasília prejudicam qualquer pensamento nesse sentido.
Qual seria o efeito moral nessa ala do partido se o governador Requião se lançar oficialmente como candidato?
Eu, por exemplo, já abro meu voto. Na convenção do ano que vem, voto no Requião. Aí a convenção será uma grande convenção. O Requião não é uma candidatura anti-Lula, é uma candidatura do PMDB. O Lula lá no início dizia que esperava por uma candidatura do partido e citou até o ministro Nélson Jobim (Defesa). Se o Requião quiser mesmo ser candidato, ele será muito mais identificado com o Lula do que o Sarney. Em qualquer sentido. Na verdade, o Requião não perde nada se lançar a candidatura a presidente. Afinal de contas, ele vai ter de renunciar de qualquer jeito se quiser concorrer a senador. Uma coisa não inviabiliza outra, muito pelo contrário.
O senhor já conversou sobre isso com ele?
Da última vez que estivemos juntos ele nem tocou no assunto. Agora que eu estou ouvindo falar no nome do Requião com mais força, até porque ele parece estar se articulando mais. Até um tempo atrás, sempre que me perguntavam sobre possíveis candidatos do PMDB, eu sempre citava o nome dele, mas também lembrava do Jobim, do governador do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral). Eu acho que hoje a tese para valer tem que ter um só nome e o dele é o mais correto. Se no sábado sair uma reunião em que os participantes digam que o PMDB tem que ter candidato próprio e uma outra moção dizendo que o Requião é o nosso nome, a candidatura dele está de pé. Não tem como reverter.